Fernando Carpaneda


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Punks



Punks

Uma pessoa que sempre viveu numa família rica ou filho de politicos brasileiros famosos nunca serão capazes de sentir realmente uma situação que não seja a sua realidade. Nunca saberam realmente o que é sentir o desespero de estar num ambiente beirando o crime, a fome, o desemprego, a falta de perspectiva, uma fila de hospital, ou não ter mais nada a não ser o básico para permanecer vivo. Este é normalmente o perfil do punk brasileiro, um revoltado. Sim, punk é uma atitude de revolta, um perfil, que somente pode ser entendido e muito mais do que isso, sentido pelo cara suburbano que viveu com a miséria e a desesperança bem perto! É a agressão, como forma de autodefesa contra a sociedade em que vive.

"Não existe, de resto, invenção artística importante sem rebeldia, sem ruptura com normas acadêmicas ou simplesmente vigentes, sem indisciplina teórica e sem a irreverência necessária ao sepultamento dos mestres. Contraditória figura, o mestre ensina, ilumina e mata. Depois de um certo caminho percorrido, o condutor deve desaparecer para que o conduzido reinvente o mundo. O presente e o futuro da arte alimentam-se da violência em relação ao passado. A cada dia, os criadores precisam assimilar e destruir o já feito. Antropofagia permanente."

Para Shakespeare, punk significava prostituta. Mais tarde, no inglês culto, virou sinônimo de miserável. Hoje, punk é um movimento cultural de luta e ação direta pela liberdade de expressão e de comportamento. O punk mostra sua cultura anticapitalista por meio do vestuário, de notícias alternativas e pela música hardcore, que traz propostas políticas através do seu som simples e direto. A contestação contra o sistema de coisas tornou forma ideológica através do Punk. Com o visual fugindo dos padrões que a sociedade impõe através do modismo, mostrando sua revolta pelo corte de cabelo à moicano (ou cabelos espetados) coloridos, roupas velhas surradas (em oposição ao consumismo), jaquetas arrebitadas com frases de indignação às injustiças do Estado repressor e a atitude subversiva, se mostra o PUNK. Esse movimento não fica calado, acomodado, como a maioria dos jovens e o povo em geral, fazendo manifestações, panfletagens, boicotes, passeatas: mostrando sua cultura e seu repúdio a todas as formas de facismo, nazismo e racismo, autoritarismo, sexismo e comando; vendo como solução a autogestão (ou seja anarquia) para a libertação dos povos, raças, homens e mulheres. Em palavras mais claras, autogestão seria a organização dos povos sem fronteiras nem lideranças autoritárias e partidárias, com plena igualdade, onde todos participariam da resolução dos problemas sociais. O punk também mostra sua cultura anticapitalista pelo FANZINE (jornal político-alternativo), pela música HARDCORE, som simples e direto, não comercializável, trazendo propostas políticas, seu comportamneto livre e objetivo, fazendo com que o Punk NÃO SEJA UMA MODA e sim um modo de vida e pensamento. Saiba e conscientize-se que Punk não é bagunça, muito pelo contrário é um movimento cultural de luta e ação direta, de liberdade de expressão e de comportamento. O movimento que surgiu a mais de trinta anos, como contestação, evoluiu e evolui até hoje...

Movimento Punk No Mundo

A semente do movimento punk foi plantada em Nova York, Estados Unidos,nos anos 70 onde uma casa noturna chamada CBGB, no bairro do Village, abriu suas portas e cedeu seu palco para grupos novos e alternativos. Lá se apresentavam bandas que traziam uma proposta musical nova e agressiva como Stooges, Velvet Underground e MC5. Enquanto que as bases sonoras e comportamentais do movimento foram lançadas na América, ele só veio mesmo a germinar e a se expandir no Reino Unido.Tudo começou quando um sujeito chamado Malcolm McLaren, em visita aos Estados Unidos, conheceu de perto os novos grupos que por lá se apresentavam e se encantou com suas propostas sonoras e musicais. De volta à Londres, McLaren difundiu a idéia de formar um grupo britânico com aquele mesmo estilo musical. Ele só não imaginava que estava ajudando a fundar uma das mais expressivas bandas de rock de todos os tempos e abrir o terreno para um dos mais contestadores movimentos juvenis do século. Formado pelo vocalista Johnny Rotten e os músicos Paul Cook, Steve Jones e Glen Matlock (substítuido por Sid Vicious) e empresariado por McLaren, o Sex Pistols surgiu como um arrasa-quarteirão, um furacão, uma bomba no cenário musical internacional.

Movimento Punk No Brasil

No Brasil, o movimento punk surgiu no final da década de 70, em São Paulo. O país comemorava o fim do Ato Constitucional número 5 e a sanção da Anistia. No começo, resumia-se a pequenas gangues de adolescentes que imitavam a roupa e as atitudes dos punks ingleses, mas não a música. Na Inglaterra, os jovens haviam começado a exibir seu descontentamento com os dinossauros do rock progressivo em 1975. Eles queriam uma música que retesse seu dia-a-dia e que pudesse ser tocada por qualquer um - e não por instrumentais virtuosos. Resultado o punk music, um rock de três acordes, rápido, cru e agressivo. Grupos como Sex Pistols e The Clash serviriam de inspiração para as primeiras bandas punks brasileiras em São Paulo e Brasília nos idos de 1978.



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