Fernando Carpaneda é um renomado artista contemporâneo, reconhecido por suas contribuições inovadoras para a arte punk e homoerótica. Desde a década de 1980, Carpaneda vem construindo uma linguagem visual destemida por meio da escultura e da pintura, desafiando convenções enquanto dá visibilidade às narrativas LGBTQIA+, às identidades punk e a corpos tradicionalmente excluídos do cânone artístico dominante.
Sua obra foi exibida internacionalmente, incluindo na Sotheby’s, em Nova York, no Heckscher Museum of Art, no Long Island Museum, no Arkell Museum, no Kenosha Public Museum, na Tom of Finland Foundation, na CBGB Art Gallery e no Leslie Lohman Museum of Art. Sua presença no mercado e o reconhecimento institucional continuam em constante expansão, marcados pela venda de uma de suas obras na Sotheby’s e pela incorporação de sua pintura Pride à Coleção Permanente da Presidência da República do Brasil — um marco histórico para a representatividade queer dentro do patrimônio político e cultural do país.
Em 2024, Carpaneda foi novamente selecionado para a Bienal de Long Island, no Heckscher Museum of Art, reafirmando sua relevância e impacto contínuos no cenário da arte contemporânea em nível museológico. No mesmo ano, recebeu uma premiação concedida pela curadora do Ohr-O’Keefe Museum, em reconhecimento à força conceitual e à expressividade de sua produção artística. Sua pintura apresentada no Arkell Museum foi distinguida com o prêmio Best in Show, consolidando sua posição como uma das vozes mais importantes da arte figurativa e da contracultura contemporâneas.
A influência de Carpaneda estende-se profundamente à música e à cultura underground. Sua obra integra o livro The Best of Punk Globe Magazine, ao lado de nomes como Debbie Harry, John Lydon, Boy George e Joe Dallesandro, reafirmando seu lugar na história visual do movimento punk. Além disso, seu trabalho também faz parte de Treasures of Gay Art, publicação do Leslie Lohman Museum, ao lado de artistas como Andy Warhol, Robert Mapplethorpe e Keith Haring.
Sua presença artística também alcançou o espaço público, com obras exibidas em painéis de LED na Times Square, em Nova York. Ao longo de décadas de rebeldia, sensualidade e representação sem concessões, Fernando Carpaneda consolidou-se não apenas como um pioneiro da arte punk e LGBTQIA+, mas como uma força duradoura que continua expandindo os limites da aceitação cultural, da beleza e da identidade.

Fernando Carpaneda
24 de outubro de 2024 | Notícias
A pintura Jesus Christ, de Fernando Carpaneda, foi leiloada com sucesso na Sotheby’s durante o renomado Take Home a Nude, evento beneficente promovido pela New York Academy of Art. A venda da obra marcou um importante momento na trajetória de Carpaneda e ampliou a presença de seu trabalho no circuito artístico de Nova York.
Nova York, 21 de outubro de 2024 — A Sotheby’s de Nova York recebeu a 32ª edição do Take Home a Nude, tradicional leilão e gala organizado pela New York Academy of Art. Entre as obras apresentadas estava Jesus Christ, de Fernando Carpaneda, vendida durante o evento.
O que começou décadas atrás como um evento de arrecadação de fundos transformou-se em uma das noites mais conhecidas do calendário cultural da New York Academy of Art. O Take Home a Nude reúne arte, filantropia e personalidades de diferentes áreas em apoio à formação de novas gerações de artistas.
A New York Academy of Art, fundada em 1982, mantém sua missão de promover a educação artística e apoiar artistas emergentes. O Take Home a Nude tornou-se uma importante iniciativa de arrecadação de fundos para contribuir com a continuidade desse trabalho.
Fernando Carpaneda durante o Take Home a Nude na Sotheby’s. Foto: BFA.
A noite reuniu artistas, colecionadores, personalidades da cultura, da moda e do entretenimento. Entre os convidados estavam o ator Alan Cumming, os artistas KAWS (Brian Donnelly) e Futura, além de Brooke Shields e Helena Christensen.
“Jesus Christ”, de Fernando Carpaneda.
Ao longo de sua história, o Take Home a Nude também recebeu nomes como Jerry Hall, Debbie Harry e a Princesa Beatrice, consolidando-se como um ponto de encontro entre diferentes gerações e áreas da cultura contemporânea.
A edição contou com a participação de Amy Cappellazzo, ao lado de David Kratz, presidente da New York Academy of Art. Eileen Guggenheim, representando a Academia, também esteve presente, assim como Brooke Shields, uma das anfitriãs da noite.
Brooke Shields durante o Take Home a Nude na Sotheby’s.
Um dos momentos de destaque foi a homenagem à artista Jane Dickson, celebrando sua contribuição para a arte e a cultura visual contemporânea. A homenagem reforçou o espírito do evento: reconhecer artistas e, ao mesmo tempo, contribuir para a formação daqueles que construirão as próximas gerações da arte.
O Take Home a Nude combina o ambiente de uma grande gala de Nova York com o compromisso de apoiar a educação artística. Colecionadores, artistas, filantropos, atores, modelos e outras personalidades compartilham o mesmo espaço em torno de um objetivo comum: contribuir para que novos artistas tenham acesso a formação, recursos e oportunidades.
Grande público durante o Take Home a Nude realizado na Sotheby’s. Foto: Matt Myers.
Para Fernando Carpaneda, ver sua obra Jesus Christ integrar o leilão na Sotheby’s representou não apenas uma conquista, mas também um importante momento de reconhecimento em sua trajetória artística.
A obra de Carpaneda transita por temas como cultura punk, narrativas LGBTQIA+, espiritualidade e questões sociais, frequentemente aproximando a energia da cultura underground de espaços tradicionais da arte. A presença de Jesus Christ no Take Home a Nude representou mais um encontro entre esses diferentes universos.
Mais do que uma noite de celebração e arrecadação de fundos, o evento reafirmou a capacidade da arte de aproximar pessoas, provocar diálogos e atravessar diferentes contextos sociais e culturais.
Carpaneda expressou sua gratidão à New York Academy of Art, à Sotheby’s e a todos que contribuíram para transformar a noite em um marco de sua trajetória artística.
A venda de Jesus Christ na Sotheby’s permanece como um momento especial na história de Fernando Carpaneda — unindo arte, trajetória e reconhecimento em Nova York.

Jesus Christ — Obra vendida na Sotheby’s
Acrílica sobre tela, 50 × 60 cm (2020)

Fernando Carpaneda sendo fotografado ao lado de sua pintura Jesus Christ, na Sotheby’s, em Nova York.

Fernando Carpaneda na casa de leilões Sotheby’s durante o evento Take Home a Nude.

Brooke Shields visitando a exposição Take Home a Nude na Sotheby’s.

Grant Shaffer e Alan Cumming visitando a exposição Take Home a Nude na Sotheby’s, em Nova York.

O evento Take Home a Nude na Sotheby’s, em Nova York.

Público reunido durante o Take Home a Nude na Sotheby’s, em Nova York.

Fernando Carpaneda foi um dos primeiros artistas plásticos brasileiros a divulgar e expor sistematicamente obras de temática homoerótica no Brasil. No entanto, desde os anos 1980, sua produção artística também abrange outras temáticas e linguagens.
Fernando Carpaneda desenvolveu, desde o início de sua trajetória artística, uma forte inclinação para explorar a erotização, especialmente do corpo masculino. Parte do cotidiano de todos nós, a sexualidade — muitas vezes oprimida e silenciada — é, em sua obra, explicitada e colocada em diálogo aberto entre os universos interior e exterior.
Grandes artistas já abordaram esse tema de maneiras sutis ou intensas. Michelangelo Buonarroti, no teto da Capela Sistina, pintou um Cristo musculoso, um Deus vigoroso dando vida a um homem já adulto, e esculpiu um Davi heroicamente másculo, assim como seu Escravo Moribundo. Caravaggio utilizou formas delicadas, atraentes e sedutoras em seu Baco.
Séculos depois, Tom of Finland trouxe de forma muito mais explícita a erotização para sua arte, retratando camponeses, fazendeiros, lenhadores, operários da construção civil, policiais, marinheiros e outros homens com corpos nus ou seminus e atributos físicos exagerados. Ainda assim, uma atmosfera de romantismo permeia sua obra, mesmo quando revestida de elementos associados ao imaginário do desejo, como o couro.
Brad Rader, em seus desenhos, e o artista polonês ULF, com seus homens criados digitalmente, foram ainda mais ousados, expondo não apenas corpos erotizados, mas também cenas explícitas de desejo, prazer e violência. Esses artistas construíram uma verdadeira elegia aos corpos e aos prazeres, quase sempre representando homens fortes e musculosos.
Carpaneda, por sua vez, parte de outro universo. Em sua arte homoerótica, retrata homens comuns, encontrados nas ruas e em suas experiências pessoais. Assim, surgem em suas esculturas punks, mendigos e personagens imaginários. Em suas pinturas, alguns libertam-se de tijolos; em suas esculturas expressionistas, os corpos se entrelaçam e parecem romper os limites da bidimensionalidade; e, em suas obras mais contemporâneas, a assemblagem revela seus personagens por meio de materiais reais: pontas de cigarro usadas, pelos naturais, pedaços de roupa, cabelos, saliva, sangue e até esperma. Esses elementos conferem às obras uma dimensão concreta e um intenso realismo, dispensando idealizações. O diálogo acontece em tempo real e permanece estático, exposto ao olhar do espectador. Aqui, o sexo tem cor, cheiro, textura e volume.
Se Michelangelo encontra afinidade com Thomas Mann, Marcel Proust e Oscar Wilde, representantes de uma estética refinada na literatura, Carpaneda aproxima-se de Pasolini, Jean Genet, Antonin Artaud, Leopold von Sacher-Masoch e do Marquês de Sade. Fernando leva para suas esculturas o sabor da vida que pulsa nas ruas quando a cidade adormece. É a doçura da busca, do encontro e da descoberta, mas também o amargor da dor, do prazer silencioso, do desejo reprimido e da castração simbólica. Ao mesmo tempo, propõe um intenso confronto entre sexualidade e religião — como em Charlie, um de seus personagens inspirado em um conhecido ícone do catolicismo brasileiro.
Fernando não hesita em revelar aquilo que sente e pensa, pois é justamente aí que reside sua arte. Sua sexualidade não estabelece limites para personagens ou espaços. Roqueiros, padres, policiais, alternativos, taxistas, fashionistas, mendigos, dependentes químicos, garotos de programa, travestis, mulheres e homens trans, magros ou gordos, lisos ou peludos, nus ou seminus, fazem parte de seu universo. Em suas esculturas, qualquer homem pode ser reconhecido, porque todos pertencem ao seu cotidiano — e também ao nosso — por mais que muitas vezes prefiramos não enxergá-los.
Para nossa satisfação, a arte sacra e profana de Fernando Carpaneda já figura ao lado de grandes nomes da arte internacional no livro Treasures of Gay Art, publicado pelo Leslie-Lohman Museum of Art, ao lado de artistas como Andy Warhol, Robert Mapplethorpe, Keith Haring, Jean Cocteau e muitos outros.
Que apreciem aqueles que têm bons olhos!
Nelson Baco
Poeta e professor de Artes

"Punk Rodin". Reinterpretação da escultura de Rodin "A Idade do Bronze". 30 cm de altura, 2015.

Mosh-Pit — Obra selecionada para a Bienal de Long Island, no Heckscher Museum of Art. Acrílica sobre tela, 60 × 50 cm (2024). Desde os anos 1980, Fernando Carpaneda cria obras de temática punk e homoerótica. Expôs no Leslie-Lohman Museum of Art, Long Island Museum, Arkell Museum e CBGB Art Gallery.
A entrevista a seguir foi publicada originalmente na revista Carpazine e traz uma conversa com Chuck Klein, modelo exclusivo do artista Fernando Carpaneda. Há anos, Chuck colabora com a criação de diversas pinturas, servindo como referência para personagens que exploram temas ligados à identidade, à liberdade e à experiência humana.
Com a obra Sem Medo: Enfrentando o Preconceito com Orgulho selecionada para a Bienal do Heckscher Museum of Art, a Carpazine conversou com Chuck sobre o processo criativo, a confiança construída ao longo dessa parceria e como é participar da criação de uma das pinturas mais marcantes da exposição.
Carpazine: Parabéns! Como é saber que você faz parte de uma pintura que está exposta em um museu?
Chuck Klein: É uma sensação meio surreal. Toda vez que o Fernando me conta que outra pintura foi aceita em alguma exposição, fico muito feliz por ele. Aí lembro: "Espera... eu estava lá parado, morrendo de frio, enquanto ele tirava as fotos de referência." (risos) É muito gratificante saber que essa colaboração acabou nas paredes de um museu.
Carpazine: Muita gente pensa que a pintura é um retrato seu, mas não é, certo?
Chuck: De jeito nenhum. O Fernando sempre diz: "Eu uso o corpo do Chuck, não a identidade dele." Ele está criando um personagem. A pose, a anatomia, a iluminação... tudo isso vem de mim. Mas a pessoa que aparece na tela é completamente diferente. Quando ele começa a pintar, deixa de ser sobre mim e passa a ser sobre a história que ele quer contar.
Carpazine: Você é heterossexual e, mesmo assim, posa há anos para obras com temática LGBTQIA+. Isso já pareceu estranho para você?
Chuck: Sinceramente, nunca. Arte é arte. Nunca vi isso como interpretar um papel. Eu estava ajudando um amigo a criar algo significativo. O trabalho do Fernando fala sobre humanidade, identidade e liberdade. São temas que dizem respeito a todo mundo. Além disso, se Michelangelo pôde esculpir o Davi, acho que eu consigo ficar parado por vinte minutos. (risos)
Carpazine: Fernando costuma dizer que você é seu modelo exclusivo. O que isso significa, na prática?
Chuck: Significa que eu sou o cara que recebe a mensagem dizendo: "Ei... tive outra ideia maluca." (risos) Trabalhamos juntos há anos, então existe muita confiança. Ele já conhece meus movimentos, sabe como a luz bate no meu corpo e quais poses funcionam melhor. Hoje em dia, quase temos uma linguagem criativa própria.
Carpazine: Como foi a sessão para Sem Medo: Enfrentando o Preconceito com Orgulho?
Chuck: Foi bem tranquila. O Fernando normalmente já tem toda a composição pronta na cabeça antes mesmo de começarmos. Ele ajusta um pouco meus braços, vira meus ombros, muda uma luz de lugar, tira algumas dezenas de fotos de referência e pronto. O trabalho pesado vem depois, quando ele passa semanas transformando aquelas fotos em uma pintura.
Carpazine: Você se reconhece quando a pintura fica pronta?
Chuck: Às vezes sim... às vezes nem um pouco. Já aconteceu de eu olhar uma pintura e pensar: "Isso não parece nada comigo." Aí o Fernando responde: "Exatamente." (risos) Esse é justamente o objetivo.
Carpazine: Posar para o Fernando mudou a forma como você enxerga a arte?
Chuck: Com certeza. Antes eu via apenas a obra pronta. Hoje entendo quanto planejamento existe por trás de cada pintura. Uma pequena mudança na postura pode alterar completamente a emoção de uma obra. Isso me fez admirar ainda mais o trabalho dos artistas.
Carpazine: Muita gente imagina que ser modelo para pinturas é algo glamouroso.
Chuck: Deviam tentar manter a mesma pose enquanto o Fernando diz pela décima vez: "Quase... não se mexe..." (risos) Você descobre músculos que nem sabia que existiam.
Carpazine: Como é assistir ao Fernando pintando?
Chuck: Fascinante. Ele passa um tempão trabalhando em um detalhe minúsculo e, de repente, a pintura inteira ganha vida. É como ver alguém resolvendo um quebra-cabeça que só ele consegue enxergar.
Carpazine: Para finalizar, o que Sem Medo: Enfrentando o Preconceito com Orgulho significa para você?
Chuck: Para mim, fala sobre coragem: sentir-se bem com quem você é e se recusar a se esconder porque alguém se incomoda com isso. É uma mensagem que qualquer pessoa pode entender, independentemente de quem seja. Tenho orgulho de ter ajudado, de alguma forma, a levar essa mensagem ao mundo.
Carpazine: Alguma última mensagem para o Fernando?
Chuck: Tenho. Na próxima pintura... deixa eu sentar.
(Os dois caem na risada.)

Chuck Klein ao lado da obra selecionada para a Bienal de Long Island, no Heckscher Museum of Art.
The Leslie Lohman Museum of Art. 26 Wooster Street, New York
Como a pintura de Carpaneda entrou para a Presidência e redefiniu o diálogo entre arte e inclusão
A pintura Pride, de Fernando Carpaneda, integra agora o acervo permanente de arte da Presidência da República do Brasil, após um convite direto do gabinete da Presidência. A obra se apresenta como um poderoso lembrete de como a arte pode resistir, incluir e celebrar a diversidade humana.
Sua presença em uma das instituições mais emblemáticas do país abre um diálogo raro entre arte e sociedade, passado e presente, política e sensibilidade. Carpaneda observa que este momento é, ao mesmo tempo, pessoal e coletivo — uma homenagem a todas as vozes que lutaram por visibilidade e representatividade.
Pride afirma a vida, a identidade e a coragem de existir em um mundo que nem sempre abre espaço para as diferenças.
Com o apoio de Rogério Carvalho, Diretor e Curador dos Palácios Presidenciais — cuja visão valoriza a arte brasileira e a diversidade cultural —, a obra passa a representar não apenas o Brasil, mas também valores universais de igualdade, liberdade e respeito.

Fernando Carpaneda e a pintura “Orgulho”
Fernando Carpaneda explode o mercado de arte comportada com um livro que não pede licença e não pede perdão
O Anjo de Butes: Uma vida de tintas, sexo e rock’n’roll não é autobiografia — é dinamite.
Carpaneda, o artista que saiu da lama, do punk, do submundo, e não de um ateliê com professor francês, esfrega nas paredes do circuito de arte a vida real: drogas, sexo, porões, travestis, puteiros, clubes, rock, suor, ressaca, expulsões e, mesmo assim, galeria do CBGB lotada, museu, Sotheby's e presidência da República no currículo.
Não há “superação”, “pureza” ou “meritocracia” aqui. Há caos, corpo, gozo, obsessão e queda. E, justamente por isso, há verdade — algo que o sistema da arte vem tentando censurar e maquiar há décadas com paredes brancas, curadores assépticos e falsos debates de “inclusão seletiva”.
Carpaneda narra sua vida como se acendesse um cigarro em um tanque de gasolina:
Brasília, São Paulo, Londres, Nova York — e os becos entre elas.
Travestis como mestras de vida. Bandas punk como evangelho.
Drogas não como desvio, mas como rito de passagem.
Sexo não como tabu, mas como vocabulário.
O texto de André Pomba, figura histórica da noite e da resistência LGBTQIA+ paulista, dá o tom sem frescura e sem liturgia: este livro não é para almas frágeis, nem para colecionadores que compram arte como quem coleciona pedigree.
Aqui, o glam é sujo, o punk é cultura, o corpo é política e a honestidade é arma.
O Anjo de Butes incomoda — e nasceu para isso.
Vai desagradar quem vive de edital higienizado, curador que discursa diversidade e bloqueia nudez queer, colunista de arte que só lê release.
Vai irritar moralistas de esquerda e de direita, colecionadores que adoram fetiche mas odeiam verdade, e toda a elite que prefere a estética da rebeldia, mas jamais o preço dela.
O livro tem 240 páginas e 26 obras — nu explícito, escultura, tinta, carne, tudo sem Photoshop, sem culpa, sem catecismo.
Este não é um livro sobre a contracultura.
É contracultura impressa, encadernada e lançada no colo de quem ainda acha que a arte deve ser educada, palatável e bem-comportada.
Prepare-se: O Anjo de Butes não só desagrada — ele desobedece.

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CBGB | Birthplace of NYC's Rock, Folk & Punk Music
Exposição coletiva | 9 de março a 8 de abril de 2005
A exposição Back to the Bowery reuniu fotografias raras e inéditas da cena punk underground dos anos 1970, além de pinturas, esculturas e trabalhos de alguns dos artistas mais importantes ligados ao movimento.
Entre os destaques estavam fotografias dos Ramones e The Dead Boys, de John Santanello; imagens originais de The Velvet Underground & Nico e Andy Warhol, feitas pelo renomado fotógrafo Billy Name; as novas pinturas do violinista e artista de vanguarda Walter Steding; e as esculturas da série Punks, do artista brasileiro Fernando Carpaneda.
A mostra também contou com obras da fotógrafa pioneira do punk Roberta Bayley, do fotógrafo de rock e pin-ups Mark Sweeney, do fotógrafo de rua Josh Wertheimer, do lendário Mick Rock ("The Man Who Shot the 70's"), do fotógrafo da revista Interview, de Andy Warhol, Anton Perich, criador da Night Magazine e da máquina de pintura elétrica, além das fotógrafas Elaine Mayes e Sharon Smith, conhecida por documentar a vida noturna de Nova York nos anos 1980. Também participou o lendário fotógrafo punk Godlis.
Em 2002, Fernando Carpaneda participou de uma exposição na CBGB Art Gallery, ao lado de Arturo Vega, Dee Dee Ramone e outros artistas.
Suas esculturas foram exibidas nas vitrines do CBGB, entre as placas comemorativas criadas por Arturo Vega para celebrar a entrada dos Ramones no Rock and Roll Hall of Fame. A instalação fez parte da exposição The Bowery Electric Festival – A Tribute to Joey Ramone, organizada por Arturo Vega, criador do icônico logotipo dos Ramones.
A mostra também apresentou algumas das pinturas criadas por Dee Dee Ramone para a capa de seu último CD.
Exposição coletiva
A Paper Cut Gallery e a Toedesign Inc. apresentaram a retrospectiva Vinnie Wartlip (1972–2001), uma homenagem ao artista sob o título "Vinnie Wartlip: Gone but Not Forgotten" ("Vinnie Wartlip: Desaparecido, mas não esquecido").
A exposição reuniu pinturas de Vinnie Wartlip, gentilmente cedidas por seu espólio, e contou com a participação dos artistas Randy Costanza, Shawn Kavanaugh, Adam Rider, Douglas W. Koepsel e Fernando Carpaneda.

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Os trabalhos do artista plástico Fernando Carpaneda foram exibidos em 18 de junho de 2012 em gigantescos painéis de LED na Times Square, durante a abertura da exposição Art Takes Times Square. A mostra teve uma escala extraordinária e foi vista por mais de meio milhão de pessoas.
A abertura do evento contou com a participação do cantor Twin Shadow, da dupla de DJs AndrewAndrew, do músico Questlove, da banda The Roots, e do apresentador Jimmy Fallon, do programa Late Night, da NBC.

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Proprietário e Fundador da revista de arte Carpazine.
New York, New York, United States.
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